Sugestão de Leitura

 

É esse o recado que o jornalista Carlos Amorim manda aos leitores de Assalto ao poder, fecho de sua trilogia sobre o crime organizado no Brasil. Depois de dissecar, em Comando Vermelho e CV, PCC – A irmandade do crime, as duas maiores organizações criminosas do país, aqui ele mostra como esses e outros grupos estão conseguindo se infiltrar nas instituições democráticas. Como corrompem os sistemas executivo e judiciário, ao comprar polícias e governos. “Somos alvo de uma conspiração nacional e internacional para ‘legalizar’ o crime e o dinheiro de origem desconhecida ou imprópria”, revela.

Escrito de maneira direta, simples e repleto de dados, Assalto ao poder marca a última incursão do autor sobre um tema que o acompanhou por quase trinta anos. Por isso Carlos Amorim se dá o direito de incluir, também, alguns depoimentos pessoais, como quando seu carro foi alvo de uma bala perdida, ou quando ele teve sua filha sequestrada. “Por se tratar de uma conclusão, exprimo minhas próprias opiniões sobre a matéria e meus sentimentos em relação ao drama que vivemos. Também faço insistentes correlações com o cenário internacional, para mostrar que o nosso problema tem vinculações com o meganegócio do crime em escala global”, explica.

Carlos Amorim é jornalista profissional há 42 anos. Começou na mídia impressa, como repórter, aos 16 anos. Passou pelos jornais A Notícia, Correio da Manhã, Diário de Notícias e O Globo. Esteve nas revistas Manchete, Exame e Veja. Suas reportagens de investigação receberam prêmios e foram transcritas para os Anais do Congresso Nacional.

sugestão de leitura

O que os senhores da droga aprenderam com as grandes empresas

Como um chefe de cartéis em ascensão tem sucesso (e sobrevive) no negócio de drogas ilegais de US $ 300 bilhões? Aprendendo com os melhores, é claro. Desde a criação do valor da marca até o atendimento ao cliente, as pessoas que lidam com cartéis têm sido estudantes atentos da estratégia e das táticas usadas por corporações como Walmart, McDonald’s e Coca-Cola.
E o que o governo pode aprender a combater este flagelo? Ao analisar os cartéis como empresas, os agentes da lei podem entender melhor como funcionam e parar de jogar US $ 100 bilhões por ano em um esforço inútil para conquistar a “guerra” contra esse negócio global e altamente organizado.
Seu guia intrépido para a indústria mais exótica e brutal da Terra é Tom Wainwright. Escolhendo o caminho através de campos de cocaína andinos, prisões da América Central, lojas de potes de Colorado e as telas de drogas on-line da Dark Web, Wainwright oferece um olhar novo e inovador no comércio de drogas e seus 250 milhões de clientes.
O elenco dos personagens inclui: “Bin Laden”, o guia boliviano de coca; Old Lin, líder do grupo salvadorenho; Starboy, o milionário fabricante de pílulas da Nova Zelândia; e uma avó mexicana acolhedora que cozinha panquecas de mirtilo enquanto planeja assassinato. Juntamente com presidentes, policiais e assassinos adolescentes, eles explicam assuntos como o propósito comercial para as tatuagens de cabeça para o pé, como as gangues decidem se competem ou concordam e por que os cartéis cuidam de uma quantidade surpreendente de responsabilidade social corporativa.
Mais do que apenas uma investigação de como os cartéis de drogas fazem negócios, e também é um modelo para como vencê-los.

 

Analisando o Crime Organizado

 

Para analisamos o crime organizado e o narcotráfico como uma atividade econômica ilícita, e melhor compreendermos sua atuação no corpo social – e como em nossa sociedade ele passa a ser a cada etapa de sua superestrutura um agente da violência, tanto pelo crime organizado quanto pelas forças repressoras – o conflito, a violação e o abuso de força, somados à violência endêmica provocada pelo Estado, principalmente quando promovida por políticas sociais desastrosas, ou simplesmente o abandono de áreas urbanas socialmente vulneráveis, constroem uma equação não muito fácil de resolver, surgindo clamores por estado de exceção, o que é algo bastante perigoso e desgraçadamente atual, como fala Agamben:

A nossa política não conhece hoje outro valor (e, consequentemente, outro desvalor) que a vida, e até que as condições que isto implica não forem solucionadas, nazismo e fascismo, que haviam feito da decisão sobre a vida nua o critério político supremo, permanecerão desgraçadamente atuais. (AGAMBEN, 2002, p. 17).

Deste ponto de vista, a violência afeta os direitos individuais, pessoais e existências coletivas. Algumas pessoas a consideram como um comportamento de crise, uma resposta a mudanças de situação. Para encerrar o ciclo, não é suficiente apenas a contabilidade de vítimas e sua subjetividade, por mais importante que seja sua capacidade de mobilizar a opinião coletiva, os meios de comunicação social, o Estado e líderes políticos, é preciso também olhar para as diferentes formas da violência.