Analisando o Crime Organizado

 

Para analisamos o crime organizado e o narcotráfico como uma atividade econômica ilícita, e melhor compreendermos sua atuação no corpo social – e como em nossa sociedade ele passa a ser a cada etapa de sua superestrutura um agente da violência, tanto pelo crime organizado quanto pelas forças repressoras – o conflito, a violação e o abuso de força, somados à violência endêmica provocada pelo Estado, principalmente quando promovida por políticas sociais desastrosas, ou simplesmente o abandono de áreas urbanas socialmente vulneráveis, constroem uma equação não muito fácil de resolver, surgindo clamores por estado de exceção, o que é algo bastante perigoso e desgraçadamente atual, como fala Agamben:

A nossa política não conhece hoje outro valor (e, consequentemente, outro desvalor) que a vida, e até que as condições que isto implica não forem solucionadas, nazismo e fascismo, que haviam feito da decisão sobre a vida nua o critério político supremo, permanecerão desgraçadamente atuais. (AGAMBEN, 2002, p. 17).

Deste ponto de vista, a violência afeta os direitos individuais, pessoais e existências coletivas. Algumas pessoas a consideram como um comportamento de crise, uma resposta a mudanças de situação. Para encerrar o ciclo, não é suficiente apenas a contabilidade de vítimas e sua subjetividade, por mais importante que seja sua capacidade de mobilizar a opinião coletiva, os meios de comunicação social, o Estado e líderes políticos, é preciso também olhar para as diferentes formas da violência.

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